Primeiro carro totalmente elétrico da Ferrari apresenta quatro motores, potência de até 1.050 cv, design inovador e autonomia superior a 530 km
A Ferrari deu um passo significativo na direção dos veículos elétricos ao lançar o Luce, seu primeiro modelo de produção que não conta com motor a combustão em sua estrutura. Esse lançamento é considerado um marco tanto na história da marca italiana quanto um tema polêmico, já que representa uma pausa nos tradicionais motores V12, V8 e V6 para dar lugar a uma plataforma totalmente elétrica.
O Luce também se distancia das características estéticas convencionais da fabricante. A empresa descreve o novo modelo como pertencente a um “novo segmento”, que mistura características de crossover, GT e shooting brake. Com mais de cinco metros de comprimento, possui quatro portas e acomoda até cinco pessoas. Nenhum outro veículo da marca, nem mesmo o Purosangue, se afastou tanto das proporções tradicionais.
O design foi desenvolvido em colaboração com a LoveFrom, estúdio sob a liderança de Sir Jony Ive, ex-diretor de design da Apple e criador de produtos icônicos como o iPhone. O resultado é um automóvel com superfícies fluidas, linhas elegantes e uma grande área envidraçada, além de rodas impressionantes de 23 polegadas na frente e 24 polegadas na traseira.
Embora apresente um estilo futurista, a Ferrari assegura que o Luce foi projetado para manter a experiência emocional característica da marca. O interior combina telas digitais com botões metálicos físicos e componentes mecânicos tradicionais. O volante permanece no centro do cockpit, agora equipado com controles específicos para gerenciamento energético e regeneração.
A aerodinâmica foi fundamental no desenvolvimento deste modelo. A fabricante afirma que o Luce detém o menor coeficiente aerodinâmico já registrado em um carro de rua da marca. Para alcançar essa eficiência, foram implementadas soluções como grade ativa, suspensão adaptativa que ajusta automaticamente a altura durante a condução e rodas projetadas para minimizar as turbulências.
A Ferrari revela que foram realizadas mais de 6 mil simulações computacionais e aproximadamente 250 horas em túnel de vento para aperfeiçoar o fluxo aéreo e otimizar a eficiência energética do veículo.
Sob sua carroceria inovadora está uma plataforma nova com arquitetura de 800 volts e quatro motores elétricos independentes — um em cada roda. Esse sistema gera impressionantes 1.050 cv de potência e 100,9 kgfm de torque, alimentados por uma bateria com capacidade de 122 kWh.
Apesar do peso aproximado de 2.260 kg, o Ferrari Luce consegue ir de 0 a 100 km/h em apenas 2,5 segundos, atingindo uma velocidade máxima de 310 km/h. A autonomia informada supera os 530 quilômetros.
Para proporcionar uma experiência de condução mais envolvente, a Ferrari desenvolveu o sistema Torque Shift Engagement. Este mecanismo permite ajustar a entrega da potência através das aletas localizadas atrás do volante. Em vez de simular trocas de marcha tradicionais, ele modifica a entrega da força para criar uma sensação mecânica progressiva.
Outro aspecto notável é o sistema sonoro do veículo. Ao contrário de outras montadoras que utilizam sons artificiais por meio de alto-falantes, o Luce amplifica vibrações reais dos motores elétricos e dos elementos mecânicos. Isso resulta em uma assinatura sonora autêntica que varia conforme a velocidade, carga e modo de condução selecionado.
Mais do que ser apenas um novo modelo na linha da Ferrari, o Luce simboliza um dos empreendimentos mais audaciosos da fabricante nos últimos anos e assinala o início de uma nova era para Maranello — embora não seja necessariamente considerada sua fase mais charmosa.
Foto| Ferrari/Divulgação
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