Crescimento de 21% para veículos elétricos no mercado de automóveis de passeio

Vendas de híbridos leves, plug-in e elétricos aumentam 118% em abril; BYD supera Volkswagen e se torna líder no varejo

Imagem gerada por IA, com licença para uso editorial LEGENDA – Enquanto a BYD viu sua participação no mercado de carros de passeio subir de 5,3% em 2025 para 8,4% neste ano, outras marcas chinesas como Chery (de 3,1% para 3,5%) e GWM (de 1,6% para 2,9%) também registraram crescimento. Em contrapartida, empresas tradicionais como Toyota (de 8,1% para 6%), Jeep (de 5% para 4,2%) e Honda (de 4,5% para 3,9%) estão perdendo espaço mês a mês para esses novos gigantes do setor.

Os dados referentes aos primeiros quatro meses deste ano evidenciam uma realidade que alguns insistem em ignorar: o Brasil se estabelece como um exemplo na mudança para a eletromobilidade na América Latina. Entre janeiro e abril, foram licenciados cerca de 137,9 mil veículos eletrificados no país, o que representa quase 21% (20,9%) do total de emplacamentos de automóveis de passeio (sem incluir comerciais leves). A BYD liderou as vendas no varejo em abril passado, sendo a primeira vez que uma marca chinesa ocupa essa posição no Brasil ao desbancar Fiat e Volkswagen nas vendas não direcionadas a empresas ou frotistas. Para se ter uma ideia do crescimento das montadoras chinesas, somente no último mês houve um aumento de 2,3 pontos percentuais na sua participação de mercado, alcançando um total de 17%. Em comparação com o primeiro quadrimestre de 2025, quando a fatia era apenas de 8%, o crescimento é notável. Os modelos híbridos leves sem recarga externa, plug-in e elétricos somaram juntos 43,2 mil unidades em abril, apresentando uma impressionante alta mensal de 118% em relação ao mesmo período do ano anterior e um crescimento acumulado de 98% no quadrimestre.

No geral, o mercado automotivo brasileiro encerrou abril com um total de 237 mil veículos vendidos e uma queda de -8,1% comparado ao mês anterior. Mesmo assim, as vendas acumuladas até agora totalizam 834,6 mil unidades neste quadrimestre, representando um aumento de 16,7% em relação a 2025. A crescente adesão dos brasileiros à eletromobilidade fica clara ao observar que se retirarmos os veículos eletrificados da conta dos automóveis de passeio tradicionais, o crescimento entre janeiro e abril despenca para apenas 6,1%, uma taxa que é significativamente inferior à dos modelos eletrificados.

“Estamos consolidando a transição para a eletromobilidade no Brasil”, afirma Ricardo Bastos, presidente reempossado da Associação Brasileira do Veículo Elétrico (ABVE) e diretor institucional da Great Wall Motors (GWM) desde o dia 14 de abril. “Nosso objetivo é transformar o Brasil em um líder global em mobilidade sustentável. Os dados recentes indicam que podemos alcançar cerca de 300 mil veículos elétricos até 2026 e atingir uma participação de mercado próxima a 30% antes de chegarmos a 2030. Temos condições ideais para realizar essa meta e vamos conseguir”, projeta Bastos.


Desempenho negativo das marcas alemãs

Um aspecto interessante é que enquanto marcas como BYD (crescendo sua participação de mercado de 5,3% para 8,4%), Chery (de 3,1% para 3,5%) e GWM (de 1,6% para 2,9%), além da Omoda Jaecoo (que passou praticamente do zero para 1,3%), Geely (de zero para mais de 1%) e GAC (de zero para cerca de 0,4%), estão expandindo seus espaços no mercado brasileiro desde então até agora; montadoras tradicionais como Toyota (reduzindo sua participação de market share de 8.1% pra %6), Jeep (de %5 pra %4.2), Honda (%4.5 pra %3.9), Nissan (%3.4 pra %2.8), Citroën (%1.8 pra %1.2), Mitsubishi (%1.1 pra %0.7) e Peugeot (%1 pra %0.7) estão sendo superadas continuamente pelos novos competidores chineses.

Ainda mais preocupante é o fato das renomadas marcas alemãs Audi, BMW e Mercedes-Benz terem enfrentado quedas significativas nas vendas durante os primeiros quatro meses deste ano; destacando-se negativamente a Audi com uma redução drástica de -70%, passando de vendeu apenas509 unidades contra as154 unidades registradas em2025 . As quedas da Mercedes-Benz (-1.7%) e da BMW (-4.1%) foram bem menores em comparação à fabricante alemã mencionada anteriormente. Isso demonstra que a lealdade dos clientes dessas duas últimas marcas está diminuindo à medida que consumidores buscam eficiência e inovação nas novas propostas oferecidas pelos fabricantes chineses.

É notável que os brasileiros capazes de adquirir automóveis novos acima da faixa dos R$150 mil estão começando a perceber que um carro não é necessariamente um investimento rentável; pelo contrário ele pode ser visto como um passivo financeiro que deve ser escolhido visando reduzir despesas inevitáveis. Há também uma crescente consciência sobre a importância da conectividade e praticidade na vida cotidiana em detrimento da performance ou do status associado às marcas que vêm perdendo relevância.

By Motor Extremo

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