Nas eras das emoções intensas

A imagem que acompanha esta coluna trouxe à tona, para mim, o conceito de ESG, uma sigla em inglês que representa Environmental, Social, and Governance – Ambiental, Social e Governança. Esses critérios e práticas são fundamentais para avaliar se uma empresa demonstra responsabilidade social, sustentabilidade e uma gestão ética, indo muito além da mera busca por lucros.

A foto foi capturada na comunidade de Heliópolis, onde tive a oportunidade de lançar meu primeiro livro intitulado “Pra fora Rex”, voltado para o público infantil. Passei mais de quatro horas dedicando livros a mais de cem crianças que vivem e estudam naquela área. Curiosamente, os nomes delas não eram comuns como João ou Maria; eram “americanizados”, com grafias como Jeferson, Gleides, Cleidisson, Emily, Samantha ou Michael, refletindo a interpretação que seus pais faziam ao ouvir esses nomes.

Essas crianças eram como qualquer outra — Marias, Pedros e Antônios — e estavam radiantes por conhecer um escritor pela primeira vez. Elas se mostraram curiosas sobre o processo de criação literária. Eu lhes expliquei que contava histórias para meus filhos; no entanto, aquelas narrativas não eram conhecidas — eu as inventava.

A reação ao ouvir que eu “inventava” histórias foi de espanto: “Você mentia para seus filhos?”

Quando esclareci que criar não era sinônimo de mentir, elas ficaram aliviadas e logo surgiram mais perguntas. Assim como acontece quando se reúnem várias crianças juntas, a conversa virou uma verdadeira confusão, com todas falando ao mesmo tempo.

Na hora das dedicatórias, cada criança segurava seu livro sob o braço — todos com seus nomes escritos — formando uma fila organizada. Apesar da ansiedade visível, ninguém furou a fila.

Eu estava entusiasmado e perguntava a cada um sobre suas aspirações futuras antes de escrever uma dedicatória personalizada relacionada à profissão desejada. Assim se passaram as quatro horas dedicadas a autógrafos. Notei que um garoto lia todas as dedicatórias de forma peculiar, olhando-as de cabeça para baixo. Quando chegou sua vez, virei seu livro e escrevi diretamente para ele. Ele ficou incrédulo e me questionou: por que você escreveu assim?

“Porque você sabe ler dessa forma!” respondi.

 

Esse livro contou com o apoio do Instituto General Motors. Dias depois do lançamento, as crianças tiveram a oportunidade de visitar o Salão do Automóvel (não pergunte em que ano isso ocorreu; simplesmente não recordo!). Eu estava presente e avistei um grupo delas em fila à espera do almoço perto do estande da GM. Foi quando ouvi alguém gritar: é ele!

Eram as crianças de Heliópolis que deixaram a fila para me abraçar e me convidar a almoçar com elas. Esse momento foi um dos mais emocionantes da minha vida. Os lugares próximos eram muito concorridos; por isso não permaneci sentado em um único lugar. Retribui todo o carinho que elas haviam me demonstrado.

Uma nova experiência em Sorocaba

Algum tempo depois, recebi o convite do meu amigo Pardal (Adalberto Vieira), do jornal Cruzeiro do Sul, para participar de outra tarde de autógrafos em uma escola pública em Sorocaba. Desta vez estava lançando o livro “Gota D’água”, patrocinado pela Fiat. Fiquei feliz ao ver que a recepção das crianças nessa nova localidade também foi bastante calorosa e emocionante. As mesmas perguntas surgiram novamente e os nomes continuavam sendo escritos segundo a interpretação dos pais.

Reflexões sobre este artigo

Decidi compartilhar essas experiências durante as tardes de autógrafos para ressaltar a importância das empresas reforçarem suas iniciativas relacionadas ao ESG. É fundamental que elas prestem mais atenção ao seu público consumidor, reduzindo o uso excessivo de inteligência artificial no atendimento ao cliente e utilizando-a como ferramenta para criar conexões significativas e proporcionar satisfação completa aos seus clientes.

By Motor Extremo

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